
Tem uma frase que tenho observado com frequência nas conversas que tenho tido nos últimos anos: “Estou cansada.” Ela aparece de formas diferentes… Às vezes vem acompanhada de lágrimas. Às vezes surge em tom de brincadeira. Às vezes aparece escondida atrás de um sorriso educado. Mas, no fundo, a mensagem costuma ser a mesma: “Estou cansada.”
E quase sempre a conclusão vem logo em seguida: “Estou cansada da minha vida.” Mas será que é verdade? Tenho me perguntado isso com frequência. Porque, na maioria das vezes, quando olho mais de perto, percebo que essas pessoas não estão necessariamente cansadas da vida que construíram.
Elas estão cansadas de não estarem presentes nela.
Existe uma diferença importante entre as duas coisas. Uma pessoa pode amar a família que construiu e, ainda assim, sentir-se exausta. Pode gostar do trabalho que escolheu e, ainda assim, sentir-se desconectada. Pode ter alcançado objetivos importantes e, mesmo assim, carregar uma sensação silenciosa de vazio. Não porque exista algo errado.
Mas porque existe uma distância crescente entre quem ela é e a forma como está vivendo. E essa distância cobra um preço. A vida moderna nos ensinou muitas competências. Aprendemos a cumprir prazos. Aprendemos a resolver problemas. Aprendemos a cuidar dos outros. Aprendemos a dar conta. Mas raramente aprendemos a permanecer presentes enquanto fazemos tudo isso.
Sem perceber, começamos a trocar presença por produtividade. Substituímos percepção por execução. Trocamos experiência por desempenho. E, aos poucos, a vida deixa de ser vivida. Passa a ser administrada. Os dias continuam acontecendo. As tarefas continuam sendo concluídas. Os compromissos continuam sendo cumpridos. Mas alguma coisa importante vai ficando para trás: Nós.
Talvez seja por isso que tantas pessoas tentam resolver esse cansaço descansando. Tiram férias. Dormem mais. Mudam a rotina. Fazem uma pausa. E, por alguns dias, sentem alívio. Mas pouco tempo depois, a sensação retorna. Porque nem todo cansaço nasce do excesso de atividade. Alguns nascem da ausência de presença.
Existe um tipo de esgotamento que não acontece porque estamos fazendo demais. Acontece porque estamos vivendo distantes de nós mesmos por tempo demais. Distantes do que sentimos. Do que pensamos. Do que desejamos. Do que precisamos. Distantes até mesmo da capacidade de perceber que estamos distantes. E talvez seja justamente isso que torne esse processo tão difícil de identificar. Porque ele não chega de uma vez. Ele se instala silenciosamente.
Um dia você percebe que passou semanas sem observar o próprio corpo. Meses sem fazer uma pergunta importante para si mesma. Anos sem reconsiderar escolhas que já não fazem tanto sentido. E então surge a sensação de que a vida perdeu a cor. Mas talvez a vida não tenha perdido a cor. Talvez você tenha deixado de estar presente o suficiente para percebê-la.
Não estou dizendo que todas as dificuldades são internas. Existem problemas reais. Pressões reais. Responsabilidades reais. Mas existe uma pergunta que considero importante antes de concluir que o problema é a vida que você tem. Quando foi a última vez que você esteve verdadeiramente presente nela?
Presente numa conversa.
Presente numa refeição.
Presente num momento simples.
Presente numa decisão.
Presente consigo mesma.
Talvez a questão não seja abandonar tudo o que você construiu. Talvez a questão seja voltar a habitar a própria vida. Porque existe uma diferença entre estar viva e estar presente. E, muitas vezes, o que chamamos de cansaço da vida é apenas a saudade silenciosa de nós mesmos.
ENTÃO, VERDADE?
Do que você está cansada?
Você está cansada da sua vida?
Ou está cansada de não estar nela?
Para quem deseja viver, trabalhar e liderar com mais presença e consciência.
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